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A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Intangível

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Eu canto o cantar do amor jamais cantado, A melodia melosa da canção jamais ouvida. Eu vivo a vida do amor jamais vivida, O amor abstrato, nunca visto, absoluto. Eu ando o andar mais firme e seguro, Os passos apaixonantes, perpassados de paixão. Eu olho com olhar; não sufoco a imaginação... Uma força de pensar pensante, escuso. Enluvo as mãos enluvadas de amor terno. Transpiro a transpiração do amor perfumado. Toco o instrumento tocável, encantado. Sinto o sentir da paixão e do amor eviterno.  Eu respiro a respiração embebida em frescor, O ar mais aerado do amor arejado, aspirante, A beleza do amor inimaginável, tocante, Que aprisiona a mente — uma loucura de amor.