A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Sobre a autora

 Há quem escreva para esclarecer o mundo. Há quem escreva para senti-lo.

Quanto a mim, talvez a escrita tenha surgido da necessidade de estar quieta, enquanto a inquietude move a minha mente. De contemplar o que, muitas vezes, passa despercebido. De ouvir o silêncio...

Alma em Letras nasceu com o propósito de compartilhar reflexões, memórias, poemas e crônicas que caminham entre a contemplação e a experiência humana.

Se estas páginas, em algum momento, fizerem você desacelerar, recordar ou simplesmente sentir a vida por alguns instantes, então este espaço já terá encontrado o seu sentido.

Sou professora de Língua Portuguesa e encontrei na literatura um lugar onde a inquietação ganha voz, e a vida me convida a olhá-la com mais demora. Escrevo porque algumas perguntas insistem em permanecer e porque, às vezes, uma única palavra consegue acolher aquilo que a voz já não alcança.

Seja bem-vindo.


— Joseane Fonseca

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