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Mostrando postagens de julho, 2026

A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Bem-vindos ao Alma em Letras

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Alma em Letras nasceu do encontro entre a sensibilidade e a escrita. Aqui, sentimentos, memórias e reflexões se transformam em palavras que buscam tocar e acolher.  Este é um espaço para sentir, contemplar e encontrar, nas entrelinhas da existência, a beleza que habita a alma. — Joseane Fonseca

Contemplação

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Respira. Há algo que pulsa dentro do ser. Silencia. A correria impede a contemplação da beleza que há em cada pausa. Então, respira. Fecha os olhos. O movimento pode ser uma barreira... É preciso ver além. Escuta. Ouve a melodia do próprio interior. Agora, guarda o relógio. O tic-tac desperta certa ansiedade. E, sim, ele também não detém o tempo. Res-pi-ra. Concentre-se. Conte o intervalo das notas musicais da melodia que toca dentro de você. Permita que os ecos dessas notas rompam a parede do coração e atinjam a alma. Inspira. Respira. Sinta o pulsar do coração de-sa-ce-le-rar. Inspira. Há uma grandiosa arquitetura. Sabe onde ela está? Está bem guardada. Talvez invisível, adormecida. Acorda. Há uma potentosa obra arquitetônica dentro de você. Muito bem esculpida. Nela há detalhes que só você tem. Abra os olhos. Inspira profundamente. Respira. Olha o relógio... O tempo não acabou. A melodia você já ouviu. Agora, componha a canção. Cante-a. Deixe o vento levá-la...

Inverno

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A brisa gélida vem surgindo, envolvendo-me. Preparo-me para mais uma estação, um novo tempo. É a oportunidade de colocar os agasalhos, aquecer-me, esquentar o coração, abrir os olhos e sentir o vento. Isso é desnecessário! Muitos dizem. Quanto a mim? Ah! Eu quero aproveitar cada precioso momento! Olha este céu nublado, nuvens cinzentas... Que amargor! Olhos cerrados? Talvez. Os dias são belos, tão surpreendentes... Que favor! Se não há jardim, é hora de imaginá-lo; até criá-lo. A imaginação é fértil, vem de toda contemplação. Perder os momentos é priorizar, alimentar o fragalho. Melhor se adaptar, ou reinventar-se e comemorar a estação. Isso é importante? Muitos perguntam. Quanto a mim? Ah! Vou mergulhar, me lançar, voar na realização. Olha este dia frio, depressivo, cinzento... Que desânimo! Sem acreditar? Talvez. O sol ainda brilha tão intensamente... Bom enxergar! A mente reaquecida aquece, incendeia a alma, pois a esperança sem ação é um enorme e míse...

Amor

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Chegaste em minha vida e, como um soprar de um vento forte, penetraste em meu ser. Como a brisa suave, te senti naquele momento em que foste chegando junto a mim. Senti meu mundo e meus pensamentos mudarem, porque me trouxeste algo puro e extraordinário que significa amor. Um amor cheio de sonhos e esperanças que podem ser realizados contigo. Completaste uma parte de mim que faltava. Preencheste o vazio que havia em meu coração e encheste o meu mundo de felicidades.

Fagulhas

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Foi de repente. Chegou de modo sorrateiro. Tão suave, quase imperceptível. O vento soprou a porta e, como uma mão leve sobre a maçaneta, ela se abriu. Uma chuva de palavras começou a cair. Cada letra passava como gota pela fresta, enchendo aquele espaço de encantamento. Palavras singelas, maduras e, sinceramente, talvez a porta tenha se aberto por causa delas. Em suas entrelinhas havia cuidado, esmero que deságua nas profundezas do ser, no âmago mais sincero de quem deseja manter cada partícula intacta. O tempo oscilava entre diferentes décadas — duas, supostamente. E, nos pormenores, habitavam a preocupação, o valor e o bem-querer por aqueles que o cercavam. Ah, o tempo. Ah, as palavras... Quiçá pudessem ser ditas? Esse quê permanecerá. Talvez. Elas carregam um valor inestimável e respeitoso. Toda a atenção demonstrada ficará guardada no lugar onde os mais ilustres apreciam, onde a bondade transborda e a verve da palavra se expande — no cantinho da alma.

O que dizer de mim

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O que dizer de mim, que fiz do obstáculo a ponte da travessia da vida. E, de lá, do mais sublime monte, contemplei a luz que brilha, que, de mansinho, ao alcançar a vista, revelou-me o vale cheio de vida. O que dizer de mim, que fiz das flores murchas a essência que permeou o vento e me envolvi em profundo alento. O que dizer de mim, que fiz da chuva tempestade e da tempestade uma simples chuva: perfeita, serena, pura. E, sob a chuva, dancei a mais intensa das danças, daquelas que a alma enluva.

O tempo

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É interessante como a vida passa rapidamente. Quando se percebe, os anos voaram, e as palavras que, muitas vezes, ouvimos de pessoas mais experientes fazem completo sentido. Obviamente, todos já ouvimos alguém dizer: "Aproveitem enquanto estou aqui e vocês são jovens; questionem, pesquisem, estudem..." "Eu já tive a idade de vocês e sei o que estou falando." "Agradeçam o que possuem hoje, pois existem crianças e pessoas que não têm nada." "Continuem assim! Quando chegarem à minha idade..." São tantos os alertas que, quando se é criança, acredita-se que determinada idade jamais chegará. Há também o desejo de crescer apressadamente. Contudo, ninguém imagina que o tempo correrá tão depressa; os ponteiros do relógio seguem o seu curso. Ele dispara e executa o seu papel de modo avassalador. Pode-se dizer que dormimos e, ao despontar do dia, parece que despertamos em um futuro que antes nos parecia imensamente distante. Ao crescer, imaginamos que estam...

Existência

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Amanheceu. Eu senti. Eu vi os raios solares iluminando e, por fim, aquecendo a minha pele. Eu não estava sonhando. Não. Não.  As encostas cobertas com a neblina que começava a desaparecer no ar, no mesmo tempo em que das árvores também parecia sair fumaça. Eu estava quieta. Compenetrada. Tentando desfrutar o delicioso frescor que a esplendorosa manhã me proporcionava, após uma noite de temporal, em que as águas torrenciais arrastaram o sono.  Alerta ao som das folhagens no farfalhar do vento; a sinfonia das gotas de chuva no telhado e escorrendo pelo chão; ao clarear dos relâmpagos atravessando o vidro da janela e ao vociferar do trovão entre a terra e o céu, reflito: a noite mal dormida não foi em vão. Apesar da escuridão das nuvens, a lua estava ali, as estrelas também. E por mais que eu não as visse, ambas brilhavam de forma tão envolvente.  Notei que não estava só, ainda que a tempestade assolasse, a minha imaginação voava... Reprimida pelo frio, enrolada entre os len...