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Mostrando postagens de março, 2022

A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Outono

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Folhas caindo, forrando o chão. Para muitos, sujeira; para outros, um espetáculo. Andar nesse tapete de pétalas, folhagens é confortante. O que era visto no topo das árvores, está no chão, e a natureza fará todo o seu trabalho; inclusive, as folhas e flores murchas contribuirão para a fertilidade do solo.  Lembro-me de Lavoisier: “Na natureza, nada se cria, tudo se transforma”. Hum...! Ao ouvir esta frase pela primeira vez, quando adolescente, achei-a fantástica. Porém, ao passar dos dias, cá com os meus frágeis “botões”, fui recalculando e, impulsionada, cheguei à conclusão de que, na natureza, tudo foi criado e continua sendo sustentado pelas mãos d’Aquele que tudo fez e faz conforme o beneplácito da Sua soberana vontade. No  outono, pode haver escassez, pois devido à falta de frutos e folhagens, muitos pássaros morrem. Embora, nessa estação, existam frutos específicos. Não é fácil se adaptar, mesmo sendo um processo natural. Não é simples para uma ave, tam...