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Mostrando postagens de março, 2018

A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Flores no gramado

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O que é simples para muitos pode ter mais valor para mim, e vice-versa. A nossa visão pode ser limitada ou ampla, se comparada à dos outros, visto que a forma como enxergamos o externo e o o interno é singular. Contudo, a força motriz que deve mover o indivíduo é a humildade. Reconhecer que se é bom em algo que se executa não é soberba; porém, a forma como isso se manifesta faz toda a diferença. Numa vastidão de gramas, vejo uma flor perdida; vejo uma vida entre outras vidas. Vindo outro alguém, poderá não enxergá-la, poderá pisá-la, esmagá-la. Quando nos importamos com o externo (falo no sentido de preocupar-se com a dor ou o bem-estar do próximo), parece que nos camuflamos; a empatia é real e, por certo, contagia até o ambiente em seus aspectos e cores. Não temos a autonomia de transformar tudo ao nosso redor, mas possuímos capacidade para atuar beneficamente; por mais minucioso que seja o gesto, uma alma será tocada. Estender as mãos sem estabelecer valores ou "dar com a ...

Logo de manhã

Na estação, numa manhã de final de verão, à espera do trem a caminho do trabalho, em meio ao turbilhão de vozes e ao alvoroço de passos, encontrava-me cercada por um aglomerado de gente. Alguns conversavam; outros, dispersos, olhavam fixamente para o aparelho celular. Confesso que estes últimos eram maioria. Enquanto observava o ambiente, dentro de mim uma avalanche ocorria. Quem nunca se sentiu só na multidão? Torrentes me arrastavam; sim, permiti-me ser levada naquele momento em que meus pensamentos giravam a trezentos e sessenta graus ininterruptamente, embora eu sentisse os braços do meu esposo envolvendo-me. Ansiosa, olhava se o trem vinha; mas, sinceramente, minha vontade era voltar para minha casa, para minha cama. Todavia, o trem estava quase chegando, e eu seria empurrada para o interior da locomotiva por humanos que, por instantes, pareciam animais saindo do curral. De repente, avistei criaturas pequeninas, encantadoras. Não as havia notado; talvez por serem tão minúsculas e ...

Um olhar na janela

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Da janela, observava a paisagem: mistérios, sorrisos, sonhos, decepções, conquistas... enfeitando a tela da vida, colorindo o painel artístico da singularidade da existência. Cada ser é um artista ao seu estilo e peculiaridade. Obviamente, se afirmar que não, serei como um mortal acéfalo, errante no mundo egocêntrico, ensoberbecido no eu, navegando rumo ao olho do furacão destruidor da compreensão, do bem-querer. Retrospecção – olho para o passado; se necessário, corrijo o que for possível; se não, simplesmente permito que ele vá. Introspecção – volto para mim; há possibilidade de mudança: melhoro, repito, renovo, recomeço, esqueço. A autognose é ferramenta importante no auxílio da compreensão de si mesmo e do próximo; serve como escudo contra as palavras destrutivas, pode-se assim dizer. Não pretendo, aqui, ser uma ponte de autoajuda — frisando que não desmereço esse tipo de literatura —, mas redijo sobre algo que está em minha rotina e creio que é presença no cotidiano de muit...

Confissão

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Senhor, Quando penso que estou longe de Ti, quando sinto que as minhas forças se esvaem e que os meus pecados me sobrepujam, percebo o doce Espírito carregando-me de volta à Cruz. Sinto a tua inefável graça atraindo-me outra vez, mais uma vez. Ouço estremecer, no meu interior, a tua renovável misericórdia. Então, sou levada a despir-me do meu orgulho, a rasgar minhas vestes rotas e a contemplar a tua graça. O teu Espírito mostra-me o quão indigna sou! Revela-me que a Cruz é lugar de perdão, pois nela os pecados foram cravados, a dívida foi paga e a cédula da condenação, rasgada. A Cruz humilha e também regenera. Quem é forte e perfeito como o Senhor? Tu és perfeito em todos os teus caminhos! Estás assentado no teu trono, nos céus, e apoias os pés sobre a Terra. Eu... eu sou pecadora, ingrata e inconstante. Perdão, ó Pai! Faz-me ser, a cada dia, mais parecida com Cristo! Olho para mim e vejo a minha miserabilidade. Ah! Se não fosse o teu Espírito! Realmente, minhas forças não me le...