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Mostrando postagens de abril, 2021

A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Misterioso amor

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Ele abençoou, eu conheci. Um sonho que sonhei um dia, tornou-se melhor quando o vi. Chegou tão simples... Que calmaria! Brisa suave, assim que chegou, tocando-me a pele, levemente invadiu meu coração, que com sensatez se alegrou; aos poucos, lentamente, sorriu. Sem alvoroço, mas quieto, pacato. Mudando-me brandamente. Algo silencioso crescia calado, comigo mexia, sorria... Misteriosamente. Por vezes, eu até duvidei do sentimento que nutria; porém, de tão envolvente, não hesitei. Ah! Só aumentava, e eu vivia! Sua voz soava forte como um trovão, mas parecia tão doce. Máscula, firme, atingiu-me suavemente o coração. Eu vivia, eu sentia. Rendia-me. Depois de tudo: coração declarado. Devagar... intensamente desabrochou. No coração pusemos um selo, um laço; e, assim, rendemo-nos. Ah... O amor!                                                       ...

Justo Domínio

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Ó Deus, por que o mal triunfa, se o bem é maior? Sim, é preciso confiar, aceitar os Teus desígnios. De fato, a Tua vontade controla tudo ao redor. O mal parece triunfar. Homens levam outros ao declínio. Por que a maioria se rende ao achismo ditador? Submete-se a homens maus e aos seus fascínios? Mas, a Ti, como pedra imóvel, resiste, ó Senhor! Cerra os olhos, cultua o engano, venera a falsidade. Vê a Ti como carrasco, autoritário, terrível opressor. Eu, limitada criatura, por que questiono Teus princípios? És Tu quem entrega o homem ao prazer e à dor. O tolo homem se sente herói, esmolando patrocínios, financiando mortes, destruição disfarçada de favor. Tal indivíduo Tu o colocas em lugar escorregadio, faze-o cair como morto, pois Tu és o Dominador! Fala mal de Ti, que estás nos céus. Para Ti, são como um sonho, que, ao acordar, da memória se apagou. Assim é o homem mau que busca a própria glória, prestígio. Afogado no orgulho, no poço da violência e do desamor, usa como co...

Preferência

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Hoje, prefiro verde ao cinza; prefiro grama ao asfalto; prefiro ar fresco, ouvindo João-de-barro. Hoje, da janela, ver o rio de água cristalina; ver a chuva lavar a terra; ver campos florescer na primavera. Hoje, quero andar nas colinas; quero, à margem do riacho, caminhar; quero, ali, deitar e ver o sol repousar. Hoje, desejo descansar à luz de lamparina; desejo, mesmo por um tempo breve. Desejo uma vivência intensa, mas leve. Hoje, anseio sentar à porta e fazer rimas; anseio o toque do vento ao escrever; anseio mais leveza e, assim, viver. Hoje, descobri — a simplicidade me fascina; descobri que sonhos morrem, outros vêm; descobri que felicidade é ter o que se tem.                                             Joseane Fonseca

Análise

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Sem pressa. Visto que os momentos, de repente, se desintegram e os instantes escapam; por vezes, ficam. Ligeiramente. Pois os segundos, talvez, se eternizem, e o ensejo pode não mais voltar. Apressa-te! Segundos podem acabar. Abraçar demoradamente. Logo, doar calor. Recebê-lo, porque a hora se esvai, e muitos se vão sem receber amor. Olhar fixamente. Desse modo, compreender e falar. Há muitos olhares carentes... Transmitir carinho, permitir amar. Dar as mãos, a fim de se importar intencionalmente. Existe tanta solidão, tanto vazio, presença ausente. Beijar respeitosamente. Uma vez que há tantos desalmados, muitos abandonados; que deprimente! Isso também revela afeto, cuidados. Conversar. Já que o mundo é veloz, por que não diminuir, desacelerar? A falta de diálogo, majoritariamente, é algoz. Confiar, desconfiar, porquanto entrelaçam-se à existência. Apegar-se ao bem, o mal rejeitar. Serenidade é a boa voz da consciência. Andar mais devagar; às vezes, apressar. Instantes vêm...

Em Teus braços

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Melhor confiar, prudentemente esperar, oportuno descansar, não em mim; mas, em Teus braços.  Contemplar Tua presença, saciar a carência da suprema sapiência, que não há em mim; mas, nos Teus braços. Preferível derreter, ao Teu prazer o coração, o ser, não em qualquer um; mas, em Teus braços. Maravilhada estou, Compungida vou, submissa a vida dou não a qualquer um; mas, aos Teus braços.                                             Joseane Fonseca

Rendição

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Pai, o tempo passa... Desperta-me para que eu veja a Tua presença, que me ultrapassa, e Tua bondade, que nunca fraqueja. Dá-me, Pai, o entender: que o tempo é emprestado, que tenho de devolver a vida que me tens dado. Meu coração vem quebrantar, e que ele sábio venha a ser! Para meus dias contar e Tua vontade compreender. Carente de Ti... vem me perdoar! Fixa-me à sombra da cruz! Por misericórdia, vem me iluminar, pelos méritos de Cristo Jesus! Pai, o tempo passa. Não quero vivê-lo sem Ti! Meus dias controlas, compassas e crava meu coração em Ti!                                             Joseane Fonseca

Porquês

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Por que andar distante de Ti? Por que de Ti não lembrar ao acordar e dormir? Por que não ouvir-Te, Divino Pastor? Por que trilhar longe de Ti, Senhor? Por que contigo o morrer é ganhar? Por que, mesmo sofrendo, é possível se alegrar? Por que, apesar de mim, atraíste-me e amaste-me? Por quê? Por quê, Senhor? Incompreensível caminhar longe do Teu amor! Em minhas fraquezas sinto o Teu poder! Imerecida graça que me faz viver! Por quê? Nada valioso tenho para Ti! Por quê? Se minhas obras são trapos! Por que não faço o bem que há em mim? Por quê? Se o mal que não quero, eu faço! Por que me amas, Senhor? Por que escolheste um pobre, miserável pecador? Por quê? Se essa carne é minha luta! Por que deste-me uma herança absoluta? Tão indigna sou! A falha ainda habita em meu ser, ó Senhor! Todos os porquês se revelam no Verbo — o Messias, o bondoso Salvador. Que, com graça indizível, amou, fez-se propiciação pelos meus muitos pecados. No Seu corpo, a ira do Pai tomou; sofreu, o Santo, os meus deli...

Liberta-me

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Liberta-me! Dos temores, do orgulho, da omissão. Liberta-me! Da incredulidade, da falsa humildade, da fingida santidade. Liberta-me! Do enganoso coração, da ausência de oração, da falta de leitura do Santo Livro. Liberta-me! Do meu ego, da carne que carrego, do meu corpo inglório, de mim mesma... Livra-me, Senhor! Liberta-me!                                             Joseane Fonseca

Ilumina

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Derrama a Tua luz e ilumina, Senhor! Concede a Tua paz e tranquiliza, Senhor! Densas nuvens pesam nos céus, como cortinas, turvam os olhos meus. Que eu não venha desviá-los de Ti! Que, ao olhar, veja a Tua luz, enfim! És a lâmpada que afasta as trevas. Tua presença relumbra e minha alma enleva. Luz que é divina, ilumina a escuridão. Luz soberana, resplandece a vastidão. Senhor, ilumina-me! E, por graça, reluz! Minha lâmpada alumia; nela, derramaste a Tua luz! Poesia baseada no texto bíblico: "Tu, Senhor , manténs acesa a minha lâmpada; o meu Deus transforma em luz as minhas trevas." Salmos 18:28 NVI