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Mostrando postagens de 2018

A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Flores no gramado

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O que é simples para muitos pode ter mais valor para mim, e vice-versa. A nossa visão pode ser limitada ou ampla, se comparada à dos outros, visto que a forma como enxergamos o externo e o o interno é singular. Contudo, a força motriz que deve mover o indivíduo é a humildade. Reconhecer que se é bom em algo que se executa não é soberba; porém, a forma como isso se manifesta faz toda a diferença. Numa vastidão de gramas, vejo uma flor perdida; vejo uma vida entre outras vidas. Vindo outro alguém, poderá não enxergá-la, poderá pisá-la, esmagá-la. Quando nos importamos com o externo (falo no sentido de preocupar-se com a dor ou o bem-estar do próximo), parece que nos camuflamos; a empatia é real e, por certo, contagia até o ambiente em seus aspectos e cores. Não temos a autonomia de transformar tudo ao nosso redor, mas possuímos capacidade para atuar beneficamente; por mais minucioso que seja o gesto, uma alma será tocada. Estender as mãos sem estabelecer valores ou "dar com a ...

Logo de manhã

Na estação, numa manhã de final de verão, à espera do trem a caminho do trabalho, em meio ao turbilhão de vozes e ao alvoroço de passos, encontrava-me cercada por um aglomerado de gente. Alguns conversavam; outros, dispersos, olhavam fixamente para o aparelho celular. Confesso que estes últimos eram maioria. Enquanto observava o ambiente, dentro de mim uma avalanche ocorria. Quem nunca se sentiu só na multidão? Torrentes me arrastavam; sim, permiti-me ser levada naquele momento em que meus pensamentos giravam a trezentos e sessenta graus ininterruptamente, embora eu sentisse os braços do meu esposo envolvendo-me. Ansiosa, olhava se o trem vinha; mas, sinceramente, minha vontade era voltar para minha casa, para minha cama. Todavia, o trem estava quase chegando, e eu seria empurrada para o interior da locomotiva por humanos que, por instantes, pareciam animais saindo do curral. De repente, avistei criaturas pequeninas, encantadoras. Não as havia notado; talvez por serem tão minúsculas e ...

Um olhar na janela

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Da janela, observava a paisagem: mistérios, sorrisos, sonhos, decepções, conquistas... enfeitando a tela da vida, colorindo o painel artístico da singularidade da existência. Cada ser é um artista ao seu estilo e peculiaridade. Obviamente, se afirmar que não, serei como um mortal acéfalo, errante no mundo egocêntrico, ensoberbecido no eu, navegando rumo ao olho do furacão destruidor da compreensão, do bem-querer. Retrospecção – olho para o passado; se necessário, corrijo o que for possível; se não, simplesmente permito que ele vá. Introspecção – volto para mim; há possibilidade de mudança: melhoro, repito, renovo, recomeço, esqueço. A autognose é ferramenta importante no auxílio da compreensão de si mesmo e do próximo; serve como escudo contra as palavras destrutivas, pode-se assim dizer. Não pretendo, aqui, ser uma ponte de autoajuda — frisando que não desmereço esse tipo de literatura —, mas redijo sobre algo que está em minha rotina e creio que é presença no cotidiano de muit...

Confissão

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Senhor, Quando penso que estou longe de Ti, quando sinto que as minhas forças se esvaem e que os meus pecados me sobrepujam, percebo o doce Espírito carregando-me de volta à Cruz. Sinto a tua inefável graça atraindo-me outra vez, mais uma vez. Ouço estremecer, no meu interior, a tua renovável misericórdia. Então, sou levada a despir-me do meu orgulho, a rasgar minhas vestes rotas e a contemplar a tua graça. O teu Espírito mostra-me o quão indigna sou! Revela-me que a Cruz é lugar de perdão, pois nela os pecados foram cravados, a dívida foi paga e a cédula da condenação, rasgada. A Cruz humilha e também regenera. Quem é forte e perfeito como o Senhor? Tu és perfeito em todos os teus caminhos! Estás assentado no teu trono, nos céus, e apoias os pés sobre a Terra. Eu... eu sou pecadora, ingrata e inconstante. Perdão, ó Pai! Faz-me ser, a cada dia, mais parecida com Cristo! Olho para mim e vejo a minha miserabilidade. Ah! Se não fosse o teu Espírito! Realmente, minhas forças não me le...

Pequeno membro, mas pode incendiar uma floresta

     Palavras agradáveis nem sempre são verdadeiras. Atitudes bondosas, muitas vezes, não são leais. Muitos se aproximam oferecendo ajuda, porém carregada de fingidas intenções. Investigam até conseguirem o máximo de informações; contudo, a malignidade cerca os pensamentos. E, assim, escavam a existência alheia, a fim de divulgá-la sem o mínimo respeito, sem averiguar as consequências que, inclusive, podem provocar uma avalanche de contendas ou perdas. É natural falar mal do próximo, alguns assim defendem. Todavia, não há conformidade quando surgem rumores nos quais o falador se torna o assunto do jantar, do chá da tarde, do horário de almoço, da conversa na roda de amigos, daquela vizinha na casa da outra vizinha etc. "Ah! Isso não é normal! Não é justo falarem de mim!" Então, não é exemplar agir falsamente. Logo que o mexeriqueiro é o tema do diálogo, prontamente nomeia os seus amigos de fofoqueiros. Mas falar do próximo é bom? Nesse caso, por que não gostar de ser...