A dubiedade do eu

Imagem
Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Flores no gramado



O que é simples para muitos pode ter mais valor para mim, e vice-versa. A nossa visão pode ser limitada ou ampla, se comparada à dos outros, visto que a forma como enxergamos o externo e o o interno é singular. Contudo, a força motriz que deve mover o indivíduo é a humildade. Reconhecer que se é bom em algo que se executa não é soberba; porém, a forma como isso se manifesta faz toda a diferença.

Numa vastidão de gramas, vejo uma flor perdida; vejo uma vida entre outras vidas. Vindo outro alguém, poderá não enxergá-la, poderá pisá-la, esmagá-la.

Quando nos importamos com o externo (falo no sentido de preocupar-se com a dor ou o bem-estar do próximo), parece que nos camuflamos; a empatia é real e, por certo, contagia até o ambiente em seus aspectos e cores.

Não temos a autonomia de transformar tudo ao nosso redor, mas possuímos capacidade para atuar beneficamente; por mais minucioso que seja o gesto, uma alma será tocada.

Estender as mãos sem estabelecer valores ou "dar com a mão direita para que a esquerda não veja" é uma dádiva; é um presente divino encontrar, por aí, um ser perdido com tamanha graciosidade. As coisas fúteis são mais prestigiadas, visto que, para muitos, um ser humano sem bens materiais não é humano. Quem nunca ouviu a expressão: "você vale o que você tem?"

Ei! Acredita nisso? Acredita mesmo que o seu valor está calculado conforme as regras e opiniões alheias?

Torna-se exaustivo ver e ouvir certas atitudes e afirmações.

Cada pessoa é inestimável. Jamais espere ser visto e qualificado por outros; todavia, diga para si mesmo: eu valho muito, e o meu valor independe de pensamentos e rótulos fracassados.

Seja uma flor regada, cuidada. Cuide-se! E, se pisaram em você, confie: a raiz está lá; então, renasça. Ressurja e faça a diferença!

Meu lado humano tem dificuldade de crer em alguns que se classificam como tão humanos (quão pleonástica estou ao utilizar a palavra humano). Então, humano, faça jus à sua particularidade; chega de ser maria-vai-com-as-outras. Caso não simpatize com a flor, caso o aroma dela não lhe agrade, é desnecessário esmagá-la. Permita-se conhecer o espelho; deixe-o refletir a imagem: a sua própria imagem!

Há vidas perdidas pelos gramados; há flores precisando ser regadas, tocadas... Se não puder contemplar a beleza que elas têm, tente não pisá-las.


Joseane Fonseca

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Contemplação

Intangível

A dubiedade do eu