Logo de manhã
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Na estação, numa manhã de final de verão, à espera do trem a caminho do trabalho, em meio ao turbilhão de vozes e ao alvoroço de passos, encontrava-me cercada por um aglomerado de gente. Alguns conversavam; outros, dispersos, olhavam fixamente para o aparelho celular. Confesso que estes últimos eram maioria.
Enquanto observava o ambiente, dentro de mim uma avalanche ocorria. Quem nunca se sentiu só na multidão? Torrentes me arrastavam; sim, permiti-me ser levada naquele momento em que meus pensamentos giravam a trezentos e sessenta graus ininterruptamente, embora eu sentisse os braços do meu esposo envolvendo-me.
Ansiosa, olhava se o trem vinha; mas, sinceramente, minha vontade era voltar para minha casa, para minha cama. Todavia, o trem estava quase chegando, e eu seria empurrada para o interior da locomotiva por humanos que, por instantes, pareciam animais saindo do curral.
De repente, avistei criaturas pequeninas, encantadoras. Não as havia notado; talvez por serem tão minúsculas e possuírem cores semelhantes ao ambiente onde pousavam, ou devido aos meus incessantes pensamentos. Que lindas! Fizeram-me esquecer a aflição que me consumia. Pareciam tão indefesas entre as linhas férreas; passeavam, saltavam, alimentavam-se.
Céus! A paz veio até mim, e sorri por dentro. A simplicidade me atingiu, fazendo a alegria transbordar.
Por vezes, passamos despercebidos e não observamos os lugares por onde andamos e onde estamos. Deixamos que os problemas nos escravizem e cerrem a visão, ainda que seja por alguns momentos.
Naquele clima afável, pude compreender a imensidão dos cuidados do Criador. Sua magnitude abrange toda a criação! Oh! Refrigério e descanso da alma abatida! Luz que ilumina as trevas da minha mente!
Continuei estática, analisando os detalhes daquela cena em que, aproximadamente, sete pássaros faziam a refeição da manhã, pulando para alcançar a flor de uma pequena planta.
Logo veio à mente: "Eles não semeiam, não colhem, não ajuntam alimento em celeiros..." Pasmo! Uau! Foi como uma flecha lançada ao meu coração! Não via mais o aglomerado de pessoas; e, como se num piscar de olhos, fui trasladada ao lugar onde havia apenas os pássaros, eu e Deus.
Sim, Ele falou comigo. Se foi teofania ou não, não importa. Se estamos no século XXI e alguém diz que nunca viu Deus e, portanto, Ele não existe, isso também não importa. Como pode Deus falar nos dias hodiernos? Claramente, Ele falou comigo. Por meio daquela cena, levou-me às Sagradas Escrituras, consolou-me, deu-me paz. Guiou-me às páginas sagradas e disse:
"Portanto, eu lhes digo: não se preocupem com as suas próprias vidas, quanto ao que comer ou beber; nem com seus próprios corpos, quanto ao que vestir. Não é a vida mais importante do que a comida, e o corpo mais importante do que a roupa? Observem as aves do céu: não semeiam, nem colhem, nem armazenam em celeiros; contudo, o Pai celestial as alimenta. Não têm vocês muito mais valor do que elas?" (Mateus 6:25-26).
As palavras soaram agradavelmente. Naquele instante, meu mundo interior em chamas parou. Fui atraída pela graça consoladora; todo aquele fardo se tornou leve. Respirei aliviada.
Em seguida, olhei para o meu esposo e disse:
— Vês o que estou vendo?
— Não.
Imediatamente, mostrei-lhe as aves belíssimas, citando: "Não semeiam, nem colhem..." Então, ambos ficamos ali, contemplando o momento oportuno reservado por Deus para nós. É claro que os pássaros labutam para suprir suas necessidades; porém, não se preocupam com o amanhã, diferentemente de nós.
A locomotiva chegou; as aves já haviam voado. Mas a certeza de que Deus fala e cuida é indestrutível. Seguimos firmes, confiando que o Pai está conosco em todo o tempo, e assim oramos agradecidos:
"Oh, Deus! A cada manhã sei que Tu me renovas, pois, a cada batida do meu coração, sinto os Teus cuidados."
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