A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Confiança



"Mas eu, quando estiver com medo, confiarei em ti." (Salmo 56.3)








Estrada escura, coberta de neblina.
Cadê o horizonte? Nuvens cristalinas...
Na pele, o frio medonho arrepia;
tempestade ou ventania assedia.

Mas, quando sentir medo,
a confiança voltará logo cedo.
Ao raiar da manhã, assim louvarei:
Em Deus eu confio e não temerei.

Ar tenebroso sopra no ambiente.
Tristeza e incerteza incomodam a mente.
Contudo, não podem me abalar;
na estrada, o Senhor sempre está.

Os lamentos todos são registrados.
Por Ele, seus filhos são bem guardados.
No teu odre guardas as lágrimas,
e no teu livro estão todas anotadas.

Mas, quando sentir medo,
a confiança voltará logo cedo.
Ao raiar da manhã, assim louvarei:
Em Deus eu confio e não temerei.

                                           Joseane Fonseca


Reflexão em Salmo 56.






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