A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Divino, oleiro, perdoador





"Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu,
e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam. " (Isaías 64.4)




Oh, se rasgasses os céus e descesses!
Os montes tremeriam na tua presença!
E, como montões de gelo, derretesses
os povos diante da tua onipotência.

Com o teu poder criaste céus e terra;
coisas grandiosas e terríveis fizeste.
Das profundezas à infinita atmosfera,
reinas de Norte a Sul, de Leste a Oeste.

Desde a antiguidade nunca se ouviu
falar do teu poder, que a tudo supera.
Nem com os olhos jamais alguém viu
Deus que trabalhe por quem nele espera.

Perdão, Senhor, pois nos afastamos de Ti.
Sim, os pecados nos distanciam da glória
do Eterno, Santo, Altíssimo, Onipotente.
Vem! Traz o teu caminho à memória!

Pois, sem Ti, até a nossa maior justiça
não tem relevância; é insignificante.
Tão valiosa é: um trapo de imundícia.
Somente a tua justiça é perfeita e inerrante.

Nós, humanos, como folhas, murchamos.
Nossa injustiça, igual ao vento, nos arrebata.
Perdoa-nos; miseravelmente pecamos
e carecemos da tua bondosa graça!

Mas, Senhor, és o nosso eterno Pai.
Somos o barro nas tuas mãos.
És o Oleiro que, com excelência, faz
tudo para tua glória e satisfação.



                                                                               Joseane Fonseca


Reflexão em Isaías 64.








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