A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

"Pandenso"


Se vai o pensamento...
Logo, reflito, penso:
difícil tal momento,
lamentável, tenso.

Coração obstinado.
Um mundo denso.
Povo enjaulado
no frio extenso.

Pandêmico mundo,
sombrio, dissenso.
Medo profundo —
intenso...

Caiu concentrado
sobre o senso,
tão pesado,
violento.

Ninguém inocentado.
Alguns, infensos.
Mas subjugados —
aos pretensos.

Logo, crê o obstinado:
controlo o consenso,
sorriso desejado
está suspenso.

Rostos produzidos
estão apensos.
Cores, tecidos:
bom senso.

Povos desolados.
Desse modo, penso:
para fins, usados...
Interesse imenso!

Seres tão desalmados,
cruéis, vis, pretensos.
Horror orquestrado...
Sobre indefensos.

Nota: Poema escrito durante a pandemia. A palavra "pandenso" procura condensar a atmosfera de densidade, temor e inquietação que envolveu aquele tempo.

 
                           












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