A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Análise


Sem pressa.
Visto que os momentos,
de repente, se desintegram
e os instantes escapam; por vezes, ficam.

Ligeiramente.
Pois os segundos, talvez, se eternizem,
e o ensejo pode não mais voltar.
Apressa-te! Segundos podem acabar.

Abraçar demoradamente.
Logo, doar calor.
Recebê-lo, porque a hora se esvai,
e muitos se vão sem receber amor.

Olhar fixamente.
Desse modo, compreender e falar.
Há muitos olhares carentes...
Transmitir carinho, permitir amar.

Dar as mãos,
a fim de se importar intencionalmente.
Existe tanta solidão,
tanto vazio, presença ausente.

Beijar respeitosamente.
Uma vez que há tantos desalmados,
muitos abandonados; que deprimente!
Isso também revela afeto, cuidados.

Conversar.
Já que o mundo é veloz,
por que não diminuir, desacelerar?
A falta de diálogo, majoritariamente, é algoz.

Confiar, desconfiar,
porquanto entrelaçam-se à existência.
Apegar-se ao bem, o mal rejeitar.
Serenidade é a boa voz da consciência.

Andar mais devagar; às vezes, apressar.
Instantes vêm e vão... saber escolher...
Abraçar, olhar, beijar, conversar, amar...
Minimizar o ter. Invadir a essência, o ser!

Pensar: um dia, todos os feitos
o Criador a juízo irá trazer.
Resumo: guarde os Seus mandamentos;
portanto, ao Criador é melhor temer.

Valorizar o que é eterno.
E o que é eterno? – Viver para o Criador!
O resto é tudo supérfluo,
falsa alegria, renascimento de dor.

Passageiros
aqui somos, como tudo o que está ao redor.
Caminhar sem refletir neste solo
é ir, sem significado, desfazer-se em pó.


                                            Joseane Fonseca
















   

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