A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Misterioso amor


Ele abençoou, eu conheci.
Um sonho que sonhei um dia,
tornou-se melhor quando o vi.
Chegou tão simples... Que calmaria!

Brisa suave, assim que chegou,
tocando-me a pele, levemente invadiu
meu coração, que com sensatez se alegrou;
aos poucos, lentamente, sorriu.

Sem alvoroço, mas quieto, pacato.
Mudando-me brandamente.
Algo silencioso crescia calado,
comigo mexia, sorria... Misteriosamente.

Por vezes, eu até duvidei
do sentimento que nutria;
porém, de tão envolvente, não hesitei.
Ah! Só aumentava, e eu vivia!

Sua voz soava forte como um trovão,
mas parecia tão doce. Máscula, firme,
atingiu-me suavemente o coração.
Eu vivia, eu sentia. Rendia-me.

Depois de tudo: coração declarado.
Devagar... intensamente desabrochou.
No coração pusemos um selo, um laço;
e, assim, rendemo-nos. Ah... O amor!



                                                                             Joseane Fonseca













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