A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Porquês






Por que andar distante de Ti?
Por que de Ti não lembrar ao acordar e dormir?
Por que não ouvir-Te, Divino Pastor?
Por que trilhar longe de Ti, Senhor?

Por que contigo o morrer é ganhar?
Por que, mesmo sofrendo, é possível se alegrar?
Por que, apesar de mim,
atraíste-me e amaste-me?

Por quê? Por quê, Senhor?
Incompreensível caminhar longe do Teu amor!
Em minhas fraquezas sinto o Teu poder!
Imerecida graça que me faz viver!

Por quê? Nada valioso tenho para Ti!
Por quê? Se minhas obras são trapos!
Por que não faço o bem que há em mim?
Por quê? Se o mal que não quero, eu faço!

Por que me amas, Senhor?
Por que escolheste um pobre, miserável pecador?
Por quê? Se essa carne é minha luta!
Por que deste-me uma herança absoluta?

Tão indigna sou!
A falha ainda habita em meu ser, ó Senhor!
Todos os porquês se revelam no Verbo
— o Messias, o bondoso Salvador.

Que, com graça indizível, amou,
fez-se propiciação pelos meus muitos pecados.
No Seu corpo, a ira do Pai tomou;
sofreu, o Santo, os meus delitos!

A resposta? Não é porque eu mereço!
A resposta: é o Messias e o beneplácito do Criador!
O mistério eterno revelado tem preço:
preço de sangue do santo REI e SENHOR!


                                            Joseane Fonseca






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