A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Preferência

Hoje, prefiro verde ao cinza;
prefiro grama ao asfalto;
prefiro ar fresco, ouvindo João-de-barro.

Hoje, da janela, ver o rio de água cristalina;
ver a chuva lavar a terra;
ver campos florescer na primavera.

Hoje, quero andar nas colinas;
quero, à margem do riacho, caminhar;
quero, ali, deitar e ver o sol repousar.

Hoje, desejo descansar à luz de lamparina;
desejo, mesmo por um tempo breve.
Desejo uma vivência intensa, mas leve.

Hoje, anseio sentar à porta e fazer rimas;
anseio o toque do vento ao escrever;
anseio mais leveza e, assim, viver.

Hoje, descobri — a simplicidade me fascina;
descobri que sonhos morrem, outros vêm;
descobri que felicidade é ter o que se tem.


                                            Joseane Fonseca






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