A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Tuas mãos


Que cuidado é esse que me acalma,
como criança embalada no colo?
Que mãos abençoadas tocam a alma
trazendo alívio, profundo consolo?

Que mãos que controlam o barco
à deriva em alto e revolto mar?
Que mãos me mantêm ao Seu lado,
quando as ondas vêm derrubar?

Que mãos que derramam chuva
e desfazem a sequidão do deserto?
Que mãos que se desenluvam
para trazer o filho mais perto?

Que mãos que sempre dão perdão
ao filho que não é merecedor?
Que mãos transformam o coração
tirando as pedras do rancor?

Que mãos machucadas, feridas
por causa dos defeitos que eram meus?
Que mãos cheias de glória, vitória,
são as mãos de Jesus, de Deus! 

                                            Joseane Fonseca



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