A dubiedade do eu

Imagem
Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Outono


Folhas caindo, forrando o chão.

Para muitos, sujeira; para outros, um espetáculo.

Andar nesse tapete de pétalas, folhagens é confortante. O que era visto no topo das árvores, está no chão, e a natureza fará todo o seu trabalho; inclusive, as folhas e flores murchas contribuirão para a fertilidade do solo. 

Lembro-me de Lavoisier: “Na natureza, nada se cria, tudo se transforma”. Hum...! Ao ouvir esta frase pela primeira vez, quando adolescente, achei-a fantástica. Porém, ao passar dos dias, cá com os meus frágeis “botões”, fui recalculando e, impulsionada, cheguei à conclusão de que, na natureza, tudo foi criado e continua sendo sustentado pelas mãos d’Aquele que tudo fez e faz conforme o beneplácito da Sua soberana vontade.

No  outono, pode haver escassez, pois devido à falta de frutos e folhagens, muitos pássaros morrem. Embora, nessa estação, existam frutos específicos. Não é fácil se adaptar, mesmo sendo um processo natural. Não é simples para uma ave, também nem sempre  é leve para nós.

No entanto, é imprescindível observar ao redor e interiormente para contemplar os motivos que aquecem a gratidão no coração.

Ah! Não quero esquecer de falar sobre e–qui–lí–brio. Sim. O outono estabiliza a temperatura entre o verão e o inverno; entre o frio e o calor. É um processo de adaptação. Estabilização.

Então, reverencio a Majestade, Aquele que criou todas as coisas pelo Seu grande poder. Ele é quem concede o excelente equilíbrio de tudo.

“Ele fez a lua para marcar as estações; o sol sabe quando deve se pôr” (Salmos 104:19).

Sabe, é impossível para mim não reverenciar o Criador das estações, o Dono do tempo...

Ao Supremo Criador, sim, eu reverencio. 

Eu aprecio o outono. Admiro flores, pétalas, folhas murchas vestindo o chão e, ao soprar do vento, vê-las voar. Estimo a brisa, já um pouco gélida, prenunciando o inverno que está por vir.

Respiro profundamente. Os pensamentos mais sublimes repousam na mente. O outono é a estação que faz aflorar a beleza da existência, a força que faz o coração descansar.


                                     Joseane Fonseca

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Comentários

Postar um comentário

Postagens mais visitadas deste blog

Contemplação

Intangível

A dubiedade do eu