A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Contemplação





Respira. Há algo que pulsa dentro do ser.

Silencia. A correria impede a contemplação da beleza que há em cada pausa.

Então, respira.

Fecha os olhos. O movimento pode ser uma barreira... É preciso ver além.

Escuta. Ouve a melodia do próprio interior.

Agora, guarda o relógio. O tic-tac desperta certa ansiedade.

E, sim, ele também não detém o tempo.

Res-pi-ra.

Concentre-se. Conte o intervalo das notas musicais da melodia que toca dentro de você.

Permita que os ecos dessas notas rompam a parede do coração e atinjam a alma.

Inspira.

Respira.

Sinta o pulsar do coração de-sa-ce-le-rar.

Inspira.

Há uma grandiosa arquitetura. Sabe onde ela está?

Está bem guardada. Talvez invisível, adormecida.

Acorda. Há uma potentosa obra arquitetônica dentro de você.

Muito bem esculpida. Nela há detalhes que só você tem.

Abra os olhos.

Inspira profundamente.

Respira.

Olha o relógio...

O tempo não acabou.

A melodia você já ouviu.

Agora, componha a canção.

Cante-a. Deixe o vento levá-la.

Quebre o silêncio com a sua voz.

Inspira, respira, abra os olhos, escreva a canção e cante...

A visão precisa atravessar as muralhas. Busque o que está além delas e traga-o.

Apresente-se ao mundo, pois esse gigante arquitetônico o mundo há de ver.

Comentários

  1. Ótimo texto, que nos remete à serenidade de que nossa alma tanta precisa. Precisamos, sim, desacelerar e viver com mais calma a existência. Texto lindo e profundo, parabéns!

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  2. Recebo suas palavras com muita gratidão. Obrigada pela leitura atenta e delicadeza de sua mensagem.

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