A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Fagulhas



Foi de repente.

Chegou de modo sorrateiro. Tão suave, quase imperceptível.

O vento soprou a porta e, como uma mão leve sobre a maçaneta, ela se abriu.

Uma chuva de palavras começou a cair. Cada letra passava como gota pela fresta, enchendo aquele espaço de encantamento.

Palavras singelas, maduras e, sinceramente, talvez a porta tenha se aberto por causa delas. Em suas entrelinhas havia cuidado, esmero que deságua nas profundezas do ser, no âmago mais sincero de quem deseja manter cada partícula intacta.

O tempo oscilava entre diferentes décadas — duas, supostamente. E, nos pormenores, habitavam a preocupação, o valor e o bem-querer por aqueles que o cercavam.

Ah, o tempo.

Ah, as palavras...

Quiçá pudessem ser ditas?

Esse quê permanecerá. Talvez.

Elas carregam um valor inestimável e respeitoso. Toda a atenção demonstrada ficará guardada no lugar onde os mais ilustres apreciam, onde a bondade transborda e a verve da palavra se expande — no cantinho da alma.

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