Fagulhas
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Foi de repente.
Chegou de modo sorrateiro. Tão suave, quase imperceptível.
O vento soprou a porta e, como uma mão leve sobre a maçaneta, ela se abriu.
Uma chuva de palavras começou a cair. Cada letra passava como gota pela fresta, enchendo aquele espaço de encantamento.
Palavras singelas, maduras e, sinceramente, talvez a porta tenha se aberto por causa delas. Em suas entrelinhas havia cuidado, esmero que deságua nas profundezas do ser, no âmago mais sincero de quem deseja manter cada partícula intacta.
O tempo oscilava entre diferentes décadas — duas, supostamente. E, nos pormenores, habitavam a preocupação, o valor e o bem-querer por aqueles que o cercavam.
Ah, o tempo.
Ah, as palavras...
Quiçá pudessem ser ditas?
Esse quê permanecerá. Talvez.
Elas carregam um valor inestimável e respeitoso. Toda a atenção demonstrada ficará guardada no lugar onde os mais ilustres apreciam, onde a bondade transborda e a verve da palavra se expande — no cantinho da alma.
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