A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

Inverno



A brisa gélida vem surgindo, envolvendo-me.
Preparo-me para mais uma estação, um novo tempo.
É a oportunidade de colocar os agasalhos, aquecer-me,
esquentar o coração, abrir os olhos e sentir o vento.

Isso é desnecessário! Muitos dizem.

Quanto a mim?

Ah! Eu quero aproveitar cada precioso momento!

Olha este céu nublado,
nuvens cinzentas...
Que amargor!

Olhos cerrados?

Talvez.

Os dias são belos,
tão surpreendentes...

Que favor!

Se não há jardim, é hora de imaginá-lo; até criá-lo.
A imaginação é fértil, vem de toda contemplação.
Perder os momentos é priorizar, alimentar o fragalho.
Melhor se adaptar, ou reinventar-se e comemorar a estação.

Isso é importante? Muitos perguntam.

Quanto a mim?

Ah! Vou mergulhar, me lançar, voar na realização.

Olha este dia frio,
depressivo, cinzento...
Que desânimo!

Sem acreditar?

Talvez.

O sol ainda brilha
tão intensamente...

Bom enxergar!

A mente reaquecida aquece, incendeia a alma,
pois a esperança sem ação é um enorme e mísero vazio.
É hora de colocar as vestes e enfrentar a ardente chama,
sentar em frente à lareira, ou à fogueira, sonhar sem arredio.

Isso é fundamental? Podem pensar.

Quanto a mim?

Ah! Sigo a celebrar a estação, ainda que num ermo estio.

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