Inverno
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A brisa gélida vem surgindo, envolvendo-me.
Preparo-me para mais uma estação, um novo tempo.
É a oportunidade de colocar os agasalhos, aquecer-me,
esquentar o coração, abrir os olhos e sentir o vento.
Isso é desnecessário! Muitos dizem.
Quanto a mim?
Ah! Eu quero aproveitar cada precioso momento!
Olha este céu nublado,
nuvens cinzentas...
Que amargor!
Olhos cerrados?
Talvez.
Os dias são belos,
tão surpreendentes...
Que favor!
Se não há jardim, é hora de imaginá-lo; até criá-lo.
A imaginação é fértil, vem de toda contemplação.
Perder os momentos é priorizar, alimentar o fragalho.
Melhor se adaptar, ou reinventar-se e comemorar a estação.
Isso é importante? Muitos perguntam.
Quanto a mim?
Ah! Vou mergulhar, me lançar, voar na realização.
Olha este dia frio,
depressivo, cinzento...
Que desânimo!
Sem acreditar?
Talvez.
O sol ainda brilha
tão intensamente...
Bom enxergar!
A mente reaquecida aquece, incendeia a alma,
pois a esperança sem ação é um enorme e mísero vazio.
É hora de colocar as vestes e enfrentar a ardente chama,
sentar em frente à lareira, ou à fogueira, sonhar sem arredio.
Isso é fundamental? Podem pensar.
Quanto a mim?
Ah! Sigo a celebrar a estação, ainda que num ermo estio.
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