A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

O que dizer de mim




O que dizer de mim,
que fiz do obstáculo
a ponte da travessia da vida.

E, de lá, do mais sublime monte,
contemplei a luz que brilha,
que, de mansinho, ao alcançar a vista,
revelou-me o vale cheio de vida.

O que dizer de mim,
que fiz das flores murchas
a essência que permeou o vento
e me envolvi em profundo alento.

O que dizer de mim,
que fiz da chuva tempestade
e da tempestade uma simples chuva:
perfeita, serena, pura.

E, sob a chuva, dancei
a mais intensa das danças,
daquelas que a alma enluva.

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