A dubiedade do eu

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Aproxime-se. Não há por que gritar, soltar a voz e lançar-se em um precipício. Eis o que pretendo dizer: não há ideia volúvel, não há fascínios capazes de convergir o pensamento. Oh, existência que tanto embaraça e faz desacreditar do próprio eu! Oh, pensamento que arrasta a uma vastidão dubitável de emoções e ao desmanchar do ego! Sem querer persuadir com mera filosofia. Sem tentar embarcar no universo sapiencial e, talvez, retrocedendo... Aqui, a força de gritar perde a voz. Recluso-me aos ideais ainda desconhecidos e sigo. Sigo sob a tenra ou forte iluminação... ou, quem sabe, até mesmo na penumbra ou no escuro encontre respostas! Quem sabe... Quem sabe algum devaneio elucide o pensar, o agir, arrebate e devolva as mais puras emoções e certezas. Deveras, o gritar do pensamento esbofeteia a realidade do ser. Corrói como um ácido, apto a queimar os sentidos mais resguardados. Livre de amarras do pensamento, de demagogias que aprisionam a mente — até as mentes mais filosóficas. Tirar a...

O tempo







É interessante como a vida passa rapidamente. Quando se percebe, os anos voaram, e as palavras que, muitas vezes, ouvimos de pessoas mais experientes fazem completo sentido. Obviamente, todos já ouvimos alguém dizer:

"Aproveitem enquanto estou aqui e vocês são jovens; questionem, pesquisem, estudem..."

"Eu já tive a idade de vocês e sei o que estou falando."

"Agradeçam o que possuem hoje, pois existem crianças e pessoas que não têm nada."

"Continuem assim! Quando chegarem à minha idade..."

São tantos os alertas que, quando se é criança, acredita-se que determinada idade jamais chegará. Há também o desejo de crescer apressadamente. Contudo, ninguém imagina que o tempo correrá tão depressa; os ponteiros do relógio seguem o seu curso. Ele dispara e executa o seu papel de modo avassalador. Pode-se dizer que dormimos e, ao despontar do dia, parece que despertamos em um futuro que antes nos parecia imensamente distante.

Ao crescer, imaginamos que estamos domando o tempo. Muitos minutos administramos bem; outros, nem tanto. Lutamos, ganhamos, perdemos, caímos, levantamos e sofremos. Ah, vida! Vida! Quantas vezes teremos a sensação de que escapas das mãos? Nossa sapiência é mera criança renascida perto de ti!

Joseane Fonseca

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